Um coco, um gol e… shiiiiiiiiit!!!!
Sei lá!!
Acho que devia ser mês de março nos idos de 90… 91…
Calor pra cacete ao longo do dia e a tardezinha… ventos e por vezes uma ou outra pancada de chuva!
Era mais uma daquelas tardes tranquilas de aula, na nada bucólica sede do Colégio Pedro II – Unidade Engenho Novo… Lembro que no dia em questão, para variar, estávamos na quadra na tradicional pelada de atrasar aula!!
Porra cara!!! Quem curte, ou curtiu sabe quando a pelada flui…
Essa era uma dessas épicas!! Até quem estava de fora… vibrava a cada lance… Ninguém conseguia subir! O sinal já havia tocado pela segunda vez findando o recreio!
E bola rolando e… até que o terceiro sinal – só que dessa vez tinha careca e bigode – Siiiimm… Ele mesmo!!! Seu Sérgio!!
SU BIN DOOOOOOOOÔÔÔ!!!!! Mas de boa… Até sorriu para a gente!!!
Uma galera correu para o vestiário, outra subiu direto, enfim…
Pelada finalizada!
Nós… Subimos direto, ainda que ensopados de suor, calças ainda arregaçadas, camisas com apenas dois botões fechados e a única certeza… almas lavadas!!
Mas…
Não acha que tudo está parecendo muito perfeito?!?!
Sabe aquela sensação que a qualquer momento poderia dar alguma merda?!?!
Pois é!!!
Mas…
Até o momento… NADA!! Incrível!!!
Tááá… Para ninguém me chamar de mentiroso, ou parar de ler o texto aqui…
Antes de entrar na sala… Passamos no banheiro do andar para lavar o rosto, os braços e ajeitar o uniforme surrado em função do jogo… retardando ainda mais nossa chegada à sala e então, o primeiro aviso dos céus!!!
Meus amigos…
Esqueçam definitivamente esse papo de perfeição!!!
Na porta da sala… Entreaberta… alguém viu que a professora já estava em sala e, em aula. Éramos uns seis, ou sete da mesma turma… Não havia como não ter chamado sua atenção.
Sinceramente… Não lembro quem chegou primeiro na porta, enquanto o resto da galera estava chegando.
A professora não estava animada em deixar-nos entrar, mas… perder dois tempos de aula não estava nos planos, quando algum engraçadinho fala mais alto no corredor, ao visualizar a professora na porta…
“Iiiiiiiiihhhh… Dente de Sabre Mamute… Puxa Vida!!!”
FÓÓÓÓÓDEU!!!!
E ela…
NÃO ENTENDEU NADA e AINDA RIU!!!!
É mole!!???
E tenho quase certeza que foi isso que a fez liberar nossa entrada!!
Ufa!! Inglês não era muito a nossa praia…
Nessa brincadeira… já havia se passado mais da metade do primeiro tempo de dois!
Bem… com cada um de nós já nas suas devidas carteiras, a professora, num ar irônico se vira para a turma e solta:
“ – Ainda há mais algum atleta que não chegou?!?!” - terminando com seu característico yellow smile!!!
Em uníssono: - Nããããão!!!!! - respondemos!!
“ – Well…” – Virando-se de novo para o quadro e então continuar a aula.
Caaaaaaaara…
As janelas abertas deixavam entrar parte dos ventos fortes daquela tarde, quando… Pooooooooow!!!
A porta havia batido com violência! Eu odiava essa porra!!!!!!
Mesmo antes de algum comentário sobre a chuva que viria mais tarde…
Uns cinco minutos após este segundo aviso…
Ao longe, alguns da sala escutaram um barulho seco, mas forte de “lata”!!
Pareceu no momento uma bolada, mas a bola já estava na mochila…
Um minuto depois… Alguém bate à porta:
“ – Com licença, professora?!?!”
Caaaara… Era o Barbosa! Com as mãos para trás e com aquela cara debochada de sempre.
“ – Professora… “Excuse-me”… Um golzinho que está estacionado logo aqui em baixo, encostado no coqueiro é seu?!?!”
“Siiim!” – Responde a professora, desta vez com certo tremor na voz.
“ - Por que??!?!” – Insistiu.
Barbosa com todo o deboche do planeta a responde com outra pergunta:
“ – Professora… Como se diz em inglês… “Caiu um coco no seu carro?!?!?”
Quando ele puxa o coco que escondia…
Depois de dois segundos de silêncio mordaz e absoluto…
“UUuuuuuuuuuuuaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhh ha ha ha ha ha ha ha ha aha ha ha… Ra ra ara ara r ara r ara ra… ra ra r ara…
Todos riram MUITO, menos a professora, por motivos que acho serem óbvios!
Ela ainda perguntou…
“ – Amassou?!?!”
O sacana responde rapidamente:
“ – Pouco?!?!?!”
E ela…
“ – Éééé, garoto!!”
Barbosa finaliza com um “fatality”…
“ – Nããããão… Pouco, não… Acabou com o Capô!!!! Já era!!”
Tão rápido, quanto a professora descendo desesperada… Foi a turma em peso rindo MUUUUUUIIITOOO!!!
Até quem não era de zoar… não se aguentou!!
Não foi a notícia em si - inclusive triste por conta do prejuízo da professora – mas… a forma de transmiti-la que o Barbosa imprimiu… foi de MATAR!!
Enfim…
Que dia… “quase” perfeito!!! He he he
Saudades, Teacher!!!
Saudades, Barbosa!!!
Saudades, Coco!!
Saudades, golzinho batedeira!!!!
Carlos Montalvão


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